Uma ínfima reflexão pessoal

Mães e pais, sintam-se mal quando seus filhos esperam a opinião de vocês sobre um assunto para posteriormente formarem a deles, e principalmente se for exatamente igual a sua.

Não me entenda errado, temos muito que agradecer a geração de vocês: hoje temos nossa liberdade de expressão e um ensaio de democracia seletiva.

Mas em contraponto temos muitas pessoas sendo assassinadas apenas por serem homossexuais, e/ou, travestis, e/ou, transexuais. Também temos muitas mulheres sofrendo alguma forma de abuso. E muitos outros problemas que vieram muito antes da época de vocês, mas que incrivelmente além de sobreviverem a geração de vocês, perduram até a nossa e provavelmente não estaremos aptos a erradicá-las a ponto de torná-las pontuais exceções.

Quando a minha geração atingir uma idade mais elevada, talvez tantas pessoas não morram exclusivamente por suas sexualidades e identidade de gêneros. Talvez mulheres sejam cada vez menos vítimas de abusos. Quem sabe consigamos acabar com a guerra as drogas, e liberar a maconha (é a tendência, aceitem, assim como aceitamos socialmente o álcool, tabaco e benzodiazepínicos). E quem sabe, com muita sorte, nós começaremos a olhar uns para os outros e lutarmos uns pelos outros, e não apenas em causas de interesses próprios.

E então, provavelmente a próxima geração a minha poderá me culpar por ter aceitado que povos sejam explodidos por drones não tripulados, onde quem aperta o botão está sentado em uma abrigo de segurança máxima presidindo um dos países considerados como “Grandes Potências”, e provavelmente por minha culpa também, praticamente imbatíveis, intolerantes e totalitários.

A próxima geração poderá me agradecer também por deixá-los a mercê de um sistema que continuará não dando a mínima para as classes trabalhadoras e visará o capital como seu bem máximo. Também deverão me agradecer pelos impactos ambientais gigantes que o acumulo de todas nossas gerações - mas será a minha a mais responsável-, impactará na vida deles de forma direta e beirando a irreversibilidade.

Um mundo onde cada vez mais os pobres não terão chance de uma vida digna, e os que estiverem acima dos mais pobres e abaixo dos mais ricos, cairão, todos juntos em uma classe tão inferiorizada quanto os servos do feudalismo, porém dessa vez a justificativa será meritocrata: vocês tiveram a chance de serem os mais ricos na geração passada e se seus pais não atingiram o topo da classe econômica, bem, vocês fizeram por merecer suas misérias atuais.

Então talvez a minha geração até mude umas coisas, mas se continuarmos nos apegando a ideias que estão com nós desde o feudalismo transpuseram o imperialismo e hoje são a base do capitalismo atual, só se mudarmos talvez, em algumas gerações futuras, seja possível um futuro muito mais harmonioso e justo para todos, ou apenas, menos horripilante quanto o que hoje é possível projetar.