Raul Krebs em palestra no TEDxLaçador falando sobre a criação da campanha Crack Nem Pensar

Raul Krebs é um fotógrafo eclético, atuando em diversas áreas da fotografia, diferentes mercados e diferentes estéticas e linguagens.Como fotógrafo publicitário os prêmios mais importantes são: Honorable Mention -- New York Photo Awards (2010); nominee -- New York Photo Awards (2008 e 2009); finalista do Prêmio Conrado Wessel de Fotografia Publicitária (2005 e 2006); Short List -- Campaign Photo Awards/UK -- 2009; Fotógrafo do Ano Salão da Propaganda ARP-RS (1996 e 2004). Desenvolve projetos pessoais utilizando-se da fotografia convencional (em filme), digital, fotografia pinhole, lomografia, Polaroid e autorretratos.

Suas últimas exposições foram Máscaras -- intervenção urbana (2011); Pequenos Formatos (Coletiva) -- Galeria Subterrânea (2010); "Hello, my name is...it" (2005) -- Multiple-X do Instituto Goethe/Porto Alegre (coautoria de Marion Velasco, Trampo, Eduardo Aigner e Claudia Barbisan) e "Foreplay" (2001). É professor de fotografia na ESPM/RS -- Pós Graduação em Moda & Marketing e Avançado em Fotografia Digital -- e produtor do Canela Foto Workshops, evento anual na Serra gaúcha. Pai recente, trabalha ouvindo rock, gosta de futebol e de viajar como atento observador de pessoas.

 

Eu tive a oportunidade de estar presente na palestra do TEDxLaçador dia 5 de maio de 2012. Neste vídeo, minha cabeça aparece =).

Esta palestra foi muito interessante em perceber que o foco do trabalho de Krebs, apesar de ser um "trabalho" em um ambiente onde ele descreve como "efêmero", mas que o fotógrafo teve a oportunidade de expor a sua visão pessoal de que, apesar de todos os problemas que pessoas passam e enfrentam quando se tornam dependentes de drogas, ainda existe esperança.
O foco na esperança é de fato um diferencial, pois em maioria das campanhas publicitárias como a "This is your Brain" que basicamente procuram chocar, Krebs consegue mudar o olhar valorizando o lado humano, na palestra acima vemos isso.

A visão do Raul Krebs tem um senso mais humano e realista sobre o problema de drogas ilegais, onde todos, os dependentes, os familiares e a sociedade em geral na verdade buscam por esperança. Esperança é chave, não só em quem sabe  possibilitar um desligamento da utilização do produto, mas também de que a própria sociedade aprenda a lidar de forma humana e realista. Pelo menos é o que penso.

Muitas vezes por trás daquele olhar perdido, estão pessoas com problemas que simplesmente precisam de ajuda.

O Crack em específico também foi uma sacada importante. Como poucos sabem, o Crack se originou a partir da necessidade de produzir um produto mais barato, em uma velocidade maior e com uma capacidade de distribuição eficiente que tivesse efeitos similares ao da Cocaína, a qual tem um custo elevado de produção e na época era de grande dificuldade a distribuição, enquanto que o Crack era desconhecido.
Foi uma "solução" fabricada por mentes de negócios visando o lucro, e o mais importante, por ser totalmente ilegal, não se preocupando com os efeitos colaterais.
O Crack tem uma linha de produção, assim como a cocaína e muitas outras drogas, é um negócio que envolve muitas pessoas. Pessoas que sustentam suas famílias com este negócio.
O Crack, por ser altamente viciante e de fácil acesso e valor acessível, pode ser um bom exemplo do que acontece em uma sociedade onde a questão de produção e consumo de drogas são consideradas tabu e ninguém quer se arriscar a tentar entrar nas entranhas do assunto. Não adianta só proibir e criminalizar, as famílias são as que mais sofrem, sendo impostas uma humilhação adicional desnecessária de ter seu parente preso, sem contar o desperdício descarado de dinheiro público que não está trazendo resultados positivos, pelo contrário, estamos apenas acompanhando o crescimento da violência e o surgimento de novas drogas, sem nenhuma vigilância sobre seus efeitos colaterais sendo produzidos para driblar os filtros em pontos de passagem por terra, água e ar.

Se não houvessem todas estas leis criminalizadoras e penalizantes, talvez o resultado fosse absolutamente outro. Cada produto desenvolvido e vendido deveria ser taxado pelo governo, isso não está acontecendo com a distribuição de drogas, e podemos inclusive argumentar que os gastos para tentar impedir a força a produção, distribuição e utilização é talvez superior ao que teríamos se tivéssemos apenas de pagar pela parte de acompanhamento pelo sistema de saúde. Se a produção e venda fosse taxada, teríamos um volume grande de dinheiro para distribuir na saúde, inclusive financiar pesquisas científicas. Talvez nem houvesse ocorrido a criação do Crack, se as drogas antecessoras não tivessem se tornadas ilegais, e até este processo que tornou as drogas ilegais é totalmente questionável.

OSHO em uma entrevista falou algo no sentido de que os hospitais deveriam fornecer estes produtos, alterados de uma forma que o efeito fosse possível de obter, mas minimizando ao máximo os efeitos colaterais. Sem dúvidas uma abordagem muito mais humana para a mesma questão.

Existe sem dúvidas um elemento estranho por trás da consciência coletiva que todos que acabam de alguma forma se envolvendo com os problemas que são derivados da utilização e principalmente da utilização excessiva de drogas ilegais, a sensibilização é total, pois uma pessoa pode trazer problemas para todos a sua volta, causando o elemento que gostaríamos de evitar, o sofrimento. Criminalização apenas faz com que a produção e comércio sejam mais lucrativos, e para adolescentes, mais atraentes.

Precisamos pensar mais sobre os resultados que queremos ter em nossas comunidades, onde a ignorância sobre o assunto predomina muitas vezes nos locais onde deveriam ser mais informados, como por exemplo entre governantes, legisladores, juízes e policiais.
Eu pessoalmente acredito que temos problemas demais na nossa moderna civilização para que tenhamos de montar sistemas onde pessoas são literalmente processadas como estatísticas, e as questões sociais são simplesmente abandonadas a decisão individual de cada pessoa.

Acontece que a utilização de drogas está amplamente difundida, é possível que cada um de nós tenha contato com alguma pessoa que consome drogas ilícitas diariamente e exerça sua função no trabalho ou escola regularmente. Não é a substancia que é o problema, e sim a forma como as pessoas as vezes reagem a ela. Esta ampliação de utilização demonstra que os esforços de criminalização são apenas mais um problema para ser enfrentado pelos usuários e suas famílias, e que em maioria dos casos, não tem nenhuma vantagem para a sociedade.
Os dados são desanimadores em relação a pessoas que conseguem realmente parar de usar um dos produtos, e nem se pode concluir que este deveria ser de fato o objetivo.
Precisamos focar no que é realmente importante, e do meu ponto de vista é a qualidade de vida das pessoas, e isso inclui a liberdade de poderem consumirem o que quiserem, mas que, o que seja oferecido para consumo para estas pessoas seja amplamente compreendido, assim como sabemos os males do cigarro e do álcool. Onde existam pesquisas e tratamentos realmente eficientes para quem quiser diminuir ou parar com algum determinado vício.
Estamos em 2012, e os tratamentos e opções para quem quer para de fumar são absolutamente ineficientes e desanimadores. É como se não houvesse o real interesse da sociedade em ajudar a solucionar estes "problemas", e o contraste de investimentos em armamentos e frotas policiais, delegacias, tropas, batalhões, dedicados e especializados em "combater o trafego" é impossível de não se perceber.

Precisamos todos, prestar mais atenção neste assunto. O debate se torna necessário pois chegamos ao fundo do poço na política anti drogas desumana.