Os protestos do Templo Satânico pelo estado Laico

Nos Estados Unidos, separação de igreja e estado é lei, assim como no Brasil. Manter o estado livre de qualquer religião é fundamental para assegurar a liberdade religiosa e impedir que o estado atue a partir de folclore, mitologia e misticismo. Nos Estados Unidos evangélicos vem sistematicamente tentando quebrar esta lei, tentando obter privilégios para a sua religião.
O Templo Satânico é um grupo de pessoas que na realidade não acreditam em um Diabo, ao contrário dos cristãos que acreditam, tanto no ser mitológico "Deus" quanto no Diabo, mas eles se valem das imagens diabólicas para se fazerem ser percebidos pelos religiosos e assim fazerem os religiosos se darem por conta que suas tentativas continuas de tentar obter favoritismo estatal abre as portas para que entidades que podem ser o exato oposto, possam também se manifestar e por lei, obterem os mesmos privilégios. Desta forma, demonstrando que está correto a lei de separação de igreja e estado.

No Brasil o estado vem sofrendo continuamente o mesmo ataque, onde religiosos por toda parte quebram a laicidade do estado e em muitos casos impunemente.

Nos Estados Unidos, na cidade de  Little Rock em Arkansas, um evangélico político local fez uma doação de uma pedra com os dez mandamentos bíblicos para ser exibida nos jardins  de um dos prédios do governo, e isso constitui privilégio indevido, principalmente não havendo a presença das outras religiões. Em território do governo não se deve far qualquer favorecimento para qualquer religião, afinal o povo da nação é composto de diversas religiões, portanto exibir apenas uma destas religiões pega muito mal, faz o estado perder a credibilidade com as demais pessoas das outras religiões.

Para contestar, o pessoal do Templo Satânico, que ironicamente nem acreditam em diabos, então decidiram doar um Baphomet, uma escultura com iconografia de um bode-humano, com duas crianças ao seu lado.
É claro que os evangélicos do local fizeram uma choradeira, principalmente por serem pegos no flagra tentando obter privilégios do estado á sua religião, como se esta religião fosse a oficial, por ser a única representada. O mais chocante dos depoimentos dos religiosos é que eles são todos feitos unicamente baseados em opiniões. "Acredito que vai abrir os portões do inferno", disse uma delas a reportagem. É de fato espantoso que em pelo 2018 existam ainda pessoas que acreditam que exista um local como o "inferno" e criaturas como "diabos". As razões e visões são beirando a idade medieval da Era das Trevas.

Enquanto algumas pessoas insistem em se dizerem crentes em coisas que são literalmente insultos para a inteligência e para o conhecimento, fica realmente muito difícil de haver um dialogo aberto de aceitação da religiosidade individual de cada pessoa e que cada religião é algo particular para assim conseguirem conviver pacificamente.

O vídeo é um episódio de uma série de reportagens que estão sendo publicados no canal da Vice (link abaixo).
https://www.youtube.com/playlist?list=PLDbSvEZka6GEjC5DdG03_08C6DYFUo3cr

A serie visa documentar este surto de pessoas que acreditam em coisas sem lógica alguma, mas que apenas por opinião, ou por persuasão, acabam escolhendo se posicionarem de forma veemente para defender coisas que são amplamente demonstradas serem irracionais e sem comprovabilidade alguma. Se levarmos em consideração as ferramentas humanas que estão disponíveis para acesso e conhecimento, fica ainda mais preocupante levar em consideração que estas pessoas se organizam especificamente com a intenção de tentar tomar controle do governo para fazerem valer suas vontades.
Vontades que muitas vezes prejudicam e desvalorizam a humanidade como um todo.

A luta do Templo Satânico é muito valida e muito necessária para que pessoas que estão dentro de uma bolha comecem a perceber a realidade das suas crenças. Qualquer pessoa pode acreditar no que quiser, e até mesmo criar um Templo e é assim que deve ser, mas nenhuma destas seitas religiosas deve de forma alguma ter relacionamento privilegiado pelo estado.

Imagem: Time