Opinião sobre dados científicos não deveria fazer parte de debates

Vi hoje pela segunda vez o vídeo do Henry Bugalho falando sobre uma questão que considero muito importante:  O problema de pessoas darem opinião sobre dados científicos onde não há na realidade espaço para opiniões.

Temos visto em diversos níveis da sociedade um pessoal que desconhece como funciona o método científico e por causa deste desconhecimento, pode ser por pura maldade ou completa ignorância, se acham no direito de darem opiniões que em muitos casos acabam indo contra os dados científicos. O problema fica ainda maior quando pessoas dão voz para estas opiniões que nem deveriam de estar sendo inclusas no diálogo sobre as questões que são no grande geral absolutamente técnicas e dependentes de dados concretos obtidos através de pesquisas e estudos. Se torna um grande problema quando vemos pessoas dando opinião sem qualquer embasamento científico sobre um assunto completamente dependente de ciência para ser debatido.

Henry Bugalho aponta que a CNN Brasil vem fazendo este trabalho de desinformação, trazendo pessoas completamente sem qualificação e sem conhecimento técnico para debates em que meras opiniões não fazem parte do diálogo, onde somente dados e informações concretas deveriam ser levadas em consideração.
O problema desta situação peculiar é que para pessoas leigas isso acaba por muitas vezes fazendo parecer que a opinião sem embasamento pode de alguma forma ter o mesmo peso do que as vezes anos de pesquisas e estudos com comprovações realizadas no mundo todo.

Ninguém é obrigado a conhecer e entender amplamente como funciona a ciência e os métodos científicos que geram os dados e verdadeiro conhecimento sobre a grande maioria das questões que a humanidade conhece, porém, é também fundamental que as pessoas entendam e saibam diferenciar o que é uma opinião sem embasamento, sem conhecimento factual, em contraste com o conhecimento real para que assim não se deixem enganar por opiniões que nem sequer são válidas.

Quando a Internet recém engatinhava, eram poucas as pessoas que tinham acesso, e isso evitava de certa forma que pessoas que queriam apenas dar opiniões sem conhecimento algum sobre o assunto estivessem online. Agora com o surgimento das redes sociais, pessoas que não fizeram nenhuma pesquisa, nem sequer leram um artigo científico sobre um determinado assunto, são de certa forma motivadas, pela estrutura da rede social, a darem sua opinião, baseada em absolutamente nada.
Neste momento começamos a então perceber que assuntos que são sérios acabam se diluindo e perdendo a força e importância justamente porque existem centenas de pessoas que simplesmente desconhecem os fatos, e pior do que isso, desconhecem como se chega aos fatos.

 

O enorme problema mesmo é quando estas pessoas que desconhecem como obter informações concretas tem suas opiniões infundadas validadas. A CNN e outras entidades fazem este serviço de desinformação com certa frequência, e que causa um atrito entre os fatos e meras opiniões. Para o grande público, as vezes pode passar desapercebido que a forma como pessoas dão opinião, relativizando assuntos como se fossem parte da mesma verdade possam influenciar de forma negativa a compreensão da sociedade em relação aos mais diversos tópicos.

No final o resultado é um crescimento lento do conhecimento coletivo e uma demora maior em compreender certas questões que são importantes e que em outros países onde não existe margem para este tipo de comportamento justamente porque a sociedade reconhece rapidamente o que é fato e o que é opinião, passam batidos pelas opiniões furadas e avançam nas descobertas e no conhecimento geral da sociedade.

É importante dizer que existem entidades e até mesmo pessoas que possuem cargos públicos que tem verdadeiro interesse em assegurar que as pessoas se mantenham desinformadas, seja por motivos políticos, religiosos, ou simplesmente para obter maior ganho em cima das pessoas. É fundamental que as pessoas busquem se informar e é fundamental que entidades comunicadoras tenham a responsabilidade de cada vez mais instruir a sociedade como um tudo a reconhecer e compreender como se dá o acesso real a informações, dados e verdades.