O argumento falho do Livre Arbítrio

É com grande frequência que pessoas que professam acreditarem na mitologia cristã como se ela fosse verdadeira, também se pronunciem com relação ao Livre-Arbítrio como uma "benção" de seu Deus. Porém, qual embasamento real existe para fundamentar tal crença? Na realidade pouca ou quase nenhuma evidencia, afinal cada ser humano é diferente, e suas diferenças são basicamente dependentes inteiramente do que acontece durante a sua existência. As percepções de mundo de uma pessoa que nunca passou fome em comparação a uma que viveu anos de fome são totalmente diferentes sobre a vida. A percepção de uma pessoa que nasceu e viveu em uma favela dominada pelo crime e pelo trafico de drogas e prostituição é totalmente diferente da percepção de vida de uma pessoa que mora sempre viveu em um condomínio fechado e seguro. Assim como a percepção de vida de uma pessoa que vive em um pais completamente autoritário sob leis religiosas como as leis de Sharia que chegam a impedir a liberdade das mulheres, e favorecem o machismo são completamente diferentes da percepção de vida de alguém que vive em um pais laico e onde a religião não tem influência sobre as decisões governamentais.

Outro exemplo fácil de demonstrar a impossibilidade do livre arbítrio são as pessoas que nascem por exemplo em uma família religiosa, e são portanto doutrinadas a acreditarem como verdade os mitos e lendas daquela religião.
Existem ativas e atuantes no planeta terra mais de 3 mil religiões, porém, a pessoa se professa crente de uma religião específica, mesmo sem ter escolhido, mesmo sem ter talvez nem conhecimento das outras 2999 religiões.
Isso se torna completamente evidente quando passamos a questionar as religiões das pessoas a partir da localidade do planeta onde elas habitam. Em locais onde a religião predominante é o Hinduísmo, as pessoas tem maior tendência a serem hindus, locais onde a religião predominante é o cristianismo as pessoas tem maior tendência a serem cristãs.

A realidade demonstra claramente que nem tudo que consideramos escolhas são de fato escolhas, mas em realidade o resultado do conhecimento e hábitos e interesses que nos são oportunizados durante as nossas vidas, portanto é difícil de acreditar que exista de fato o livre arbítrio quando a pessoa que está fazendo uma escolha, seja ela qual for, não tem no momento da escolha, acesso a todas as informações e possibilidades, ela tem apenas o estoque de conhecimento adquirido em sua vida, e portanto sua escolha fica totalmente dependente daquele conhecimento que é geralmente restrito e limitado e que foi adquirido através de sua existência. Talvez outra pessoa confrontada com a mesma situação, mas com um conhecimento diferente acabe tomando uma decisão bem diferente.
Um exemplo disso são mulheres pobres que não tem acesso a métodos contraceptivos e acabam, apesar de não terem dinheiro nem para comprar uma cartela de anti-concepcionais, tendo uma enorme quantidade de filhos, aumentando a própria miséria e colocando seres no mundo para sofrerem fome e passarem necessidades básicas. Em contraponto, uma mulher com acesso a métodos contraceptivos consegue ter uma quantidade menor de filhos, e consegue evitar gravidezes indesejadas, protegendo a si mesmo e a toda sua família de acumulo de responsabilidades em gerar e cuidar de filhos, que também representam um enorme gasto individualmente por décadas.

Quando alguém defende o livre arbítrio como se fosse algo real e possível, talvez não tenha se dado por conta que, não temos escolha em maioria ou talvez na totalidade das situações, que simplesmente nosso organismo, que é evidentemente complexo, toma as escolhas por si só, e no final o que acabamos fazendo é racionalizando posteriormente as nossas ações, criando argumentos e desculpas que projetam motivos e razões para termos tomado aquela "decisão", quando na realidade, não pensamos e nem refletimos completamente sobre a questão antes de tomar a decisão.

Acontece que existe explicação científica que demonstra que não existe provavelmente o livre arbítrio, como muitos religiosos fazem questão de equivocadamente falar. É apenas mais uma daquelas falácias bíblicas que não tem paridade com a realidade, mas que por algum motivo, as pessoas querem acreditar e ficam repetindo apesar de não haver evidência alguma.

Veja abaixo uma matéria publicada na Veja que relata as descobertas científicas que demonstram como realmente funcionam as tomadas de decisões.

 

https://veja.abril.com.br/ciencia/o-livre-arbitrio-nao-existe-dizem-neurocientistas/