Maquina de Fake News não pode ser considerada emissora de opinião

Quando vemos pessoas na internet clamando por liberdade de expressão, as vezes faz parecer que esta liberdade não existe, mas a verdade é outra. As pessoas reclamam porque não podem mais exercer preconceito e ódio de forma aberta e em redes de comunicação. Talvez este seja o último refúgio para pessoas com este tipo de expectativa, onde a opinião de uma pessoa vai completamente contra os fatos, porém, querem acreditar que tem o mesmo valor do que os dados reais sobre o assunto, seja qual for, aborto, legalização de drogas, direitos iguais para todes, entre outros.

Felizmente, a lei é terrena e por isso, ela atua no mundo real e não no mundo invisível das religiões. Sendo assim, evidentemente qualquer pessoa que estiver pregando preconceito por exemplo a alguma raça, etnia, orientação sexual, ou qualquer outro tópico, pode fácilmente ser enquadrada em artigos da lei que proíbem a incitação a violência ou ódio, mesmo que isso seja parte do que estiver escrito em qualquer livro sagrado. O motivo é simples, o estado é laico e a religião não deve interferir no estado, e os preconceitos que são provenientes da religião, seja com relação a outras pessoas ou até mesmo da descrença na ciência não podem ser validados unicamente pela carta coringa da religião. Se o que as pessoas estão falando e disseminando for mentira ou incitação a crimes contra outras pessoas, estas pessoas merecem ser punidas sim, principalmente se estas atitudes forem feitas através de instituições de comunicação.

A medida que a lei vai sendo cumprida, pessoas que antes tinham facilidade para publicar e disseminar preconceito livremente na Internet começam a perder seus canais de disseminação de desinformação e em alguns casos até mesmo serem investigados. Estas ações não são censura, mas sim uma forma de combater crimes e incentivo a crimes.

O complicado mesmo é quando estas informações incorretas são amplamente disseminadas por veículos de comunicação de alta abrangência. Onde quaisquer "opiniões", por mais incorretas que estejam, ainda assim, sejam transmitidas pelas redes de emissoras de rádio e televisão e portanto para um público leigo, faz parecer que aquela informação incorreta tenha algum tipo de validade, quando de fato não tem.

Se uma rede de televisão ou rádio propaga desinformação, está também quebrando a lei, o problema é que raramente estas emissoras recebem sequer uma investigação sobre a questão. Principalmente se a emissora for chapa branca, ou seja, emita opiniões que estão alinhadas com a gestão do governo atual.
Há emissoras que chegam até a serem elogiadas pelo atual presidente do Brasil, justamente por darem espaço para programas que são totalmente dedicados a criar narrativas que são alinhadas com as narrativas, em muitos casos comprovadamente falsas, do governo. Isso sim pode ser considerado uma forma de censura, se a linha editorial de um programa televisionado tenha uma linha de comunicação que visa enganar as pessoas em prol de defesa a uma mentalidade retrograda, proveniente de governos autoritários, fascistas, que se escondem atrás da religião, para propagar ódio.

Ao mesmo tempo que vemos este retrocesso no Brasil acontecendo, precisamos também entender que não existe na prática um grande esforço dos veículos de dar a informação completa, e em muitos casos, aceitam públicamente como verdade opiniões que são absolutamente fantasiosas e irreais.

Para assegurar que o povo não seja amplamente manipulado por este tipo de programação voltada para propaganda político-religiosa é preciso have uma contrapartida de informações reais que seja concisa e amplamente distribuída. Não se pode simplesmente permitir que pessoas apareçam em canais de televisão emitindo e recomendando tratamentos falsos de cura, nem medicamentos ineficientes, nem rituais de falsa cura, como cirurgias espirituais ou feijões mágicos.

Se a população, que tanto consome informações através da mídia tradicional, não for constantemente estimulada a pensar, a refletir sobre os assuntos políticos e sociais, de forma mais embasada e aprofundada, evidentemente teremos uma legião de pessoas com opiniões incorretas e conhecimento extremamente superficial sobre a realidade. Já podemos ver o efeito deste tipo de sistema em operação em muitos lugares, basta ver os movimentos anti-vacina, assim como os movimentos terraplanistas. A quantidade de pessoas que estão agora, publicando em suas redes sociais, pensamentos completamente fora da realidade vem aumentando exponencialmente, principalmente entre as pessoas mais velhas que tem menos adaptabilidade para acesso a informações através das novas ferramentas tecnológicas, e portanto, são, ainda, completamente dependentes de redes de transmissão e publicação em massa para obterem informações. Estas informações estão incorretas, leva todos ao erro. Uma parte grande da sociedade errando, pode causar um efeito cascata de tragédias, como pudemos presenciar nos EUA com a eleição do Trump, assim como no Brasil com a eleição do Bolsonaro.