Liberdade de expressão ou crime disfarçado de religião

Há muito tempo se discute a liberdade de expressão nos meios de comunicação. Enquanto alguns sistemas procuram banir pessoas que expressam desdém para com outras por causa de suas crenças, outras atuam em governos e formação de opinião para assegurar o direito "sagrado" religioso de professar sua religião.

O problema está no conteúdo que é considerado religioso, como por exemplo descriminação a outros grupos, a outras linhas de pensamento. Há religiões que são amplamente opressoras de mulheres, e que chegam ao limite de tratar mulheres como propriedade,  algumas acreditam, por causa das suas erscrituras, que pessoas homoafetivas devem ser mortas. As punições são severas e em muitos casos, a forma como o julgamento se dá é baseado apenas em opiniões, as vezes nem isso.
Infelizmente, os livros ditos como sagrados pelos religiosos não tem um consenso sobre o comportamento humano entre eles, todos são desconectados uns dos outros e contradizem uns aos outros e até entre si mesmos, e todos acabam anulando uns aos outros tornando inconciliavel a existência de todas as religiões.

Há mais de milênio religiões entram em conflito buscando poder para crescerem sua influência na sociedade, afinal de contas, sempre foi muito lucrativo ser padre ou pastor, sem contar a influência que se pode exercer sobre as pessoas. Acontece que por causa da forma como as religiões se estruturaram, fechadas nas suas próprias crenças, para poder sempre reafirmar que o livro que acreditam é de fato sagrado, as ideias religiosas não podem mudar, e isso faz com que a grande maioria das religiões se tornem completamente distantes da realidade da sociedade atual.

No mundo moderno do século vínte um não aceitamos mais que a vida seja tão pouco valorizada, e nem queremos que as pessoas tenham direitos diferentes dependendo simplesmente de sua sexualidade, sua cor de pele, ou até mesmo suas posses. Nos importa permitir que as pessoas sejam todas respeitadas. É justamente na questão do respeito que o problema aparece. É impossível respeitar uma religião que tem em sua doutrina desrespeitar outras religiões ou desqualificar pessoas por quem elas são. Não se pode considerar crime o que não é crime, e portanto, não se pode aceitar o dogmatismo religioso como régua ou norte quando o que se espera é justamente haver liberdade de expressão.

Quando se busca pela possibilidade de viver em uma sociedade onde exista de fato liberdade de expressão, se precisar colocar algumas regras sobre como funciona a comunicação, sobre como se sabe o que é um argumento plausível e o que é apenas invenção. Felizmente, muitas das questões que a religião no passado constumava ser a "resposta" acabaram sendo desvendadas e impíricamente desqualificando os preceitos religiosos através da ciência.

É neste momento de perda de argumento por não haver embasamento algum para suportar uma tese ou uma hipótese a partir da premissa religiosa onde os crentes encontram refugio em clamar pela liberdade de expressão, ou seja, pelo direito de querer ter mais direitos que os demais por causa da sua crença, mesmo sua crença sendo completamente verificada falsa e incorreta.

Por se esconderem atrás da bandeira de sua religião, e por haver uma grande quantidade de pessoas que se dizem adeptos de uma determinada religião, apesar de que na realidade, possívelmente cada pessoa tenha sua própria interpretação do que significa sua religião, elas assinam como parte da mesma bandeira, dando assim voz para aqueles que interpretam a religião de forma mais extremista, ou seja, aquelas pessoas que interpretam os textos supostamente sagrados como a verdadeira lei, e querem mudar a lei para ser compatível com o que está escrito nos livros sagrados. Ao conseguirem mudar a lei, para que por exemplo, todas as religiões sejam "respeitadas" estão buscando o direito de criticar e demonizar outras pessoas. Usam a religião básicamente para justificar suas próprias falhas em não reconhecer outras pessoas como semelhantes, com os mesmos direitos.

O perigo está no momento em que tentam através de leis, remover direitos, impor falsas moralidades, criarem inimigos invisíveis, e assim, colocar como errado todos aqueles que não são religiosos "como eles".
Assim, através da fala de que buscam por liberdade de expressão, muitos religiosos na verdade buscam pela liberdade de expor seus próprios preconceitos acobertados pela manta invisível da religião para sairem impunes pelo mal que causam aos demais.
Sem argumentos e sem condições de ser maioria absoluta, sempre buscam por meios de usurpar o poder e tentar impor sua vontade nos demais. Quando o argumento não existe, quando a corrupção necessária no governo não é suficiente para conseguir subverter o número necessário de pessoas para conseguir mudar leis e remover direitos dos seus inimigos espirituais, então os religiosos apelam para a agressão e violência. Buscam a tomada de poder e controle á força.

Muito similar acontece em debates, onde inicialmente, são estabelecidas as regras do debate, onde não se pode por exemplo fazer uma afirmação sem que haja comprovação factual sobre o que se está afirmando, e imediatamente os religiosos se encontram em uma situação de derrota moral e derrota factual, reagem com ofensas e com agressões de todos tipos.

É claro que deve existir sempre liberdade de expressão, mas simplesmente dizer que uma cor de pele, ou uma orientação sexual é incorreta sem ter absolutamente nenhuma evidência para comprovar isso, é algo que deveria de ser amplamente rechaçado pela sociedade. Uma pessoa com uma visão tão atrasada e tão raza sobre a existência humana não poderia ter o direito de disseminar desinformação para ofender e ultrajar ninguém.
Muito menos agora onde sabemos claramente que não existe por exemplo nenhuma cor de pele humana que possa ser superior, nem mesmo alguma sexualidade que mereça perder direitos em comparação aos demais.