Foto: Reuters/Joao Castellano

Hey Zé Ninguém! Vamos falar sobre a questão religiosa

"Sobre a questão religiosa, afirmas defender a "tolerância religiosa"; afirmas o teu direito à liberdade em matéria religiosa. Perfeito. Mas queres que a tua religião seja a única. Ficas desesperado quando encontras alguém que, em vez de um Deus pessoal, adora a natureza e procura entendê-la. [...]
Poderias ter escolhido entre a crueldade da Inquisição e a verdade de Galileu. Escolheste torturar Galileu, de cujas descobertas ainda hoje beneficias, submetendo-o toda espécie de humilhação, e, em pleno século XX, continuas a utilizar os mesmos métodos da Inquisição.
Tu és “o povo”, a “opinião pública” e a “consciência social”. Já alguma vez pensaste na responsabilidade gigantesca que estes atributos te conferem, Zé Ninguém? " [Trechos de Escute, Zé-Ninguém! do Wilhelm Reich]

Peço a todos uma licença poética para tentar seguir o meu texto no mesmo estilo de Wilhelm Reich.

Você Zé Ninguém, continua sendo o mesmo do século passado, ainda julgas dentro dos padrões da tua religião como se fosse a única, a verdadeira. Te calas perante todas as crueldades e injustiças históricas e atuais que tua religião provocaram. Pessoas que preferem adorar a natureza e entendê-la, ou, pessoas que possuem uma religião diferente a tua, ambas são tão vítimas do teu silêncio quanto há tempos atrás eram.

Julga-se como se fosse o dono da verdade, só a tua religião é a certa. Queres te apropriar de tudo que ora era da história. Queres travar guerras em nome da tua religião, quando na verdade o que tua religião quer é de cunho político e/ou financeiro. A sua religião Zé Ninguém, apenas usa-te como instrumento para chegar ao objetivo que nada te agradaria se fosse te falado as claras. Mas a religião Zé Ninguém.. A religião é poderosa, por ela tu está tão disposto a começar novas guerras como fizeras há tempos atrás, e sem nem questionar. Sem nem se preocupar se dentre os discursos está o discurso de ódio que há tempos atrás eram usados para matar pessoas em praças públicas. Discursos que por fim sempre aprova seja ora com teu grito de: - viva! , seja com o teu silêncio. Como se nada houvesse de errado em tirar vidas de pessoas, não é Zé Ninguém?

Não esqueça-te Zé Ninguém, que após deles irem atrás de mim eles irão atrás de ti, com o apoio de outros Zés Ninguéns como tu foste atrás de mim. Dê poder a qualquer religião e ela escolherá o teu caminho e o da humanidade.

Pense por si só Zé Ninguém, seja mais crítico, mais questionador, e tenha uma mente mais aberta para que possas reconhecer quando estiver errado. Não se deve firmar compromisso com o erro Zé Ninguém, todo mundo erra cedo ou tarde, mas nestes casos esteja disposto a mudar de opinião. Isto que me diferencia de ti Zé Ninguém.

Saiba dialogar, pare com esse ódio internalizado que ninguém sabe a origem. Ouça e fale civilizadamente, não há porque agredir outras pessoas que apenas discordam de ti.

Não espere que eu, ou, qualquer outra pessoa, instituição, religião dê norte as tuas ideias. Não é tão impossível fazer isso sem ajuda. Questione o que há no seu coração, na sua forma de raciocínio, questione tudo, toda hora Zé Ninguém porque se tu parar de o fazer, alguém o fará por ti, e tu Zé Ninguém será inevitavelmente massa de manobra.

"Parece-me que ainda não entendeste bem, Zé Ninguém. Julgas que são os príncipes e generais que fabricam essas bombas? Não, são homens como tu que as constroem berrando “Viva!”, em vez de se recusarem a fazê-lo. " [Trecho de Escute, Zé-Ninguém! do Wilhelm Reich]

Se você, Zé Ninguém desejas ser bombardeado com uma surra de verdades, devo-lhe indicar este livro.  Faço uma ressalva necessária antes de começares: Wilhelm Reich foi bem infeliz ao falar das mulheres Zé Ninguém, assim como - se não todos-, quase todos escritores antigamente ignoravam a realidade da mulher e não estudavam profundamente. Dito isto, prepare-se para uma surra de verdades que todos deveriam ter consciência.