Extrema direita e negacionistas usam rede social alternativa e homogenea

Gabriela Priolli fez um vídeo bastante interessante sobre a importância da compreensão de como as redes sociais funcionam e como as pessoas, empresas, iniciativas e até mesmo entidades governamentais, políticas e religiosas podem usar essas ferramentas para propagar ideias e reunir pessoas em torno destas ideias.

 

O que chamou minha atenção no vídeo é a rede social Parler, que vem sendo utilizada praticamente exclusivamente pela extrema direita do mundo, o que pode se tornar um grande risco pois sem contestação, esta rede pode inflar teorias malucas de conspiração,  até mesmo alterar o comportamento de pessoas através do apelo religioso, e inclusive organizar movimentos que podem ser bastante complicados de se lidar, tudo porque dentro de uma rede social com uma grande quantidade de pessoas que pensam de forma similar, elas ficam, umas reafirmando as convicções das outras, e claro que, quando isso acontece a partir de noções equivocadas sobre a realidade, seja sobre política, religião, sociedade, isso pode trazer uma repercussão muito negativa no mundo.

Ao mesmo tempo que a liberdade de expressão é um dos fatores mais importantes de qual sociedade, também é preciso se levar em consideração em muitos casos, a veracidade de fatos, pois, poder expressar sua opinião é ótimo, mas se a sua opinião resulta em mortes, ou resulta em crimes, ai não é apenas uma opinião.

As redes sociais já se demonstraram ferramentas poderosas para manipulação de opinião das pessoas, e quem souber usar a engenharia social para promover tais mudanças no comportamento das pessoas, consegue utilizar as redes sociais de forma estratégica sem fazer as pessoas perceberem que estão sendo manipuladas. Muitas vezes apenas pelas informações que você disponibiliza nas redes sociais através do seu comportamento dentro delas, permite que o algoritmo utilizado identifique seus gostos, interesses, e consiga com isso, te apresentar anuncios que você pode ter mais tendência a clicar, a interagir e a consumir, e assim, da mesma forma como as redes sociais podem servir para te trazer o benefício de comunicar e se informar através de sua rede de contatos, também pode dependendo do que você faz nas redes sociais, te levar para lugares onde a realidade é uma questão de opinião e não necessáriamente é baseada ou sequer utiliza informações reais ou dados como ferramenta de formação de opinião.

Apesar das empresas de Big Data estarem cada vez mais sendo pressionadas para terem políticas mais claras de como seus dados são utilizados, a realidade é que estes dados sobre a grande maioria da população já foi coletado e já está gerando lucro para estas empresas faz mais de década.

O problema está em como impedir que estes dados sejam usados, e ao mesmo tempo, manter os negócios das empresas funcionando, pois afinal de contas, não são apenas os manipuladores de comportamento que atuam nas redes sociais, mas também, todos os tipos de negócios, inclusive os mais pequenos, que podem até inclusive depender das redes sociais para se manterem atuantes.

O mais preocupante porém é a liberdade de poder argumentar que o mundo, o universo, foi por exemplo criado em 6 dias, e não haver contestação nenhuma de uma afirmação como esta por ninguém, ou até mesmo, movimentos como o da Terra Plana, onde pessoas, apesar da infinidade de vídeos, fotos, imagens, experiencias e dados, que demonstram há mais de 1000 anos que a terra é redonda, ainda assim, acreditam, por pura desinformação, ou alinhamento religioso, que o planeta terra seja plano.
Essas anomalias, quando se tratando de terraplanismo, não chega a ser um problema, mas e quando a pessoa acha que tem direito de matar outras pessoas, por diferença racial, ou partidária, ou religiosa, isso pode acumular em grandes problemas para a sociedade a curto, medio e longo prazo.

O fato é que ninguém tem a solução para o problema até hoje com relação a como organizar e regulamentar de forma eficiente as Redes Sociais, porém é notório que algo precisas ser feito.