Entrevista com Silvio Alvarez - Artísta inovador fala sobre a relação de seu trabalho e a Internet

Silvio Alvarez faz um trabalho diferenciado, e vem movimentando muita gente em torno da arte com sua técnica de colagem. Seus trabalhos são variados, e todos criativos.
Atua amplamente em redes sociais e sua arte é muito bem aceita por todos que tem acesso a ela.

Eu achei muito bom o trabalho de Silvio, e perguntei se ele poderia ceder uma entrevista aqui para o site. Prontamente recebi uma DM pelo Twitter confirmando.

O que eu considero importante sobre o Silvio Alvarez é que ele é um exemplo de artista Brasileiro que contribui com a Internet, no momento que ele compartilha e participa ativamente da Internet, através do seu site, seu blog, suas contas nas redes sociais, ele está de fato contribuindo com um conteúdo completamente exclusivo e diferenciado, ele se importa em divulgar seu trabalho, e evidentemente passou por um processo de educação digital, que em maioria dos casos pode ser totalmente feito por auto aprendizagem.
O link importante que o Silvio faz entre a arte, o aprendizado de crianças, reciclagem e a internet são uma combinação totalmente positiva que inspira pessoas todos os dias.

No Brasil, existe uma enorme quantidade de artistas que tem trabalhos incríveis, e não podemos prestigiar e nem compartilhar com o resto do mundo todo este acervo de arte e inspiração por que muitos artistas não visualizam a Internet como uma media interessante. Silvio é o exemplo de um artista bem posicionado, bem articulado e sua presença digital é extremamente produtiva, tanto para a Internet, quanto para ele.
Seu talento vai além da arte, sua paixão em fazer o que faz, torna o Silvio um cara que vale a pena seguir nas redes sociais e receber suas atualizações e dicas.

Abaixo segue a entrevista divertida que fizemos com o Silvio, exclusivo para o Revista Internet (com muito orgulho):

 

 

- Olá Silvio, peço que por favor explique um pouco do seu trabalho para os nossos leitores.

 

Eu sou um artista plástico que, além de expor e comercializar os trabalhos, procura também utilizar a colagem como ferramenta de conscientização ambiental da criançada.

 

Acredito que ao ver-se criadora de algo bonito a partir do “lixo”, das revistas que a mamãe leu e que vai jogar fora, a criança descobre sozinha e para toda a vida que reaproveitar é um grande barato, além de ser tudo muito divertido.

- Você comenta que a grande maioria dos seus contatos profissionais como artísta são executados a partir da internet, qual o tipo de ferramenta que você considera mais importante online?

 

Todas! Cada uma em sua diferente função. O Twitter é fantástico para o primeiro contato com gente do mundo todo, mas com o Facebook podemos aprofundar aquele interesse inicial despertado no Twitter. No blog é onde eu converso detalhadamente com quem está a fim de ler algo mais do que no Facebook. O site é o escritório da gente, tem que estar sempre completo, atualizado e arrumadinho...

 

Ontem mesmo vendi um quadro via Facebook e, via Skype, fui conhecer a sala da compradora aonde o meu quadro irá ficar. Não é incrível isso?

 

Mas, respondendo... Acredito que a ferramenta mais importante é a utilização adequada de todas as ferramentas juntas, cada uma naquilo que oferece de melhor.

 

- Saber utilizar as ferramentas de redes sociais é um aprendizado adicional a saber utilizar o computador e enviar emails.

Ao ingressar nas redes sociais, você teve alguma dificuldade em entender algum aplicativo, e como superou estas dificuldades?

 

Poxa, sempre tive dificuldade sim. Mas fui sempre muito insistente e cara de pau também. Nunca tive vergonha de tirar dúvidas com os amigos via MSN. No caso das redes sociais, o Orkut foi um grande mestre. Ingressei na comunidade bem no comecinho, em 2004, e cheguei a ter 4 perfis.

 

Ou seja, sempre superei as dificuldades fuçando e tirando as dúvidas com os amigos virtuais.

 

- Você trabalha principalmente com arte visual estática, ou seja, imagens, o que na Internet é extremamente fácil de compartilhar, e onde existem milhares de sites e comunidades dedicados a este formato específico de arquivo.

Ao mesmo tempo, compiar imagens na Internet é extremamente fácil. Levando em consideração que você utiliza imagens recortadas de revistas e jornais para desenvolver suas obras, como você vê o relacionamento o reaproveitamento de imagens e os direitos autorais?

 

Bom, o grande barato do meu trabalho é reaproveitar o que já foi impresso e que iria para o lixo ou para a reciclagem. Se eu começar a imprimir muita coisa da internet, acredito que o meu trabalho irá perder o sentido. Mas já utilizei algumas poucas imagens da internet, sim.

 

Para você utilizar uma imagem esta precisa ser transformada, alterada, misturada a outra para ser uma composição. Um exemplo da minha preocupação nesse sentido é o livro que ilustrei há pouco. Para as ilustrações utilizei fotografias de Fábio Carnaval, ou seja... Foi um trabalho de colagem em parceria com um fotógrafo.

 

 

 

- Devido o fato de você dedicar um tempo periódico para divulgar e se comunicar nas redes sociais ocorreu algum tipo de influência positiva na questão criativa de seu trabalho o constante acesso a informações?

 

Sim, sim, e foi muito legal. Outro dia escrevi no Twitter se alguém tinha sugestões de artistas para que eu pudesse produzir releituras destes. Nossa, foram dezenas de dicas maravilhosas. Foi muito bom! Percebo que as pessoas das redes sociais acabam por acompanhar e por se interessar de verdade pelo teu trabalho. Presto atenção em todas as considerações dos meus amigos virtuais. Elas têm me ajudado muito.

 

Além disso, a internet também possibilita a troca de informações com outros artistas sobre convocatórias, espaços expositivos, editais, concursos... E também, no meu caso, com professoras e arteterapeutas que entram em contato para contar as experiências com o emprego da minha técnica em sua área de atuação.

 

Eu fico aqui pensando como é que os artistas de antigamente conseguiam se virar e não morrer de tédio sem internet em seus ateliês.

 

- De onde vem a inspiração para o desenvolvimento de seus quadros?

 

De tudo quanto é lugar. Outro dia assisti à uma reportagem que falava de um pingüim azarado que se desprendeu do iceberg em que estava com a sua turma e veio parar no Rio de Janeiro. Assim nasceu “A Invasão dos Pinguins”.

 

Estes dias conheci o Instituto Kautsky, por intermédio do Twitter. A partir daí fui pesquisar a vida do Sr. Roberto Kautsky, que da nome ao instituto e que passou a vida pesquisando sobre as orquídeas. O Sr. Roberto estudou e revelou ao mundo mais de uma centena de novas espécies da flora e fauna da região serrana do Espírito Santo. Imediatamente me veio à mente o quadro “O Senhor das Orquídeas”, em fase de produção.

- Sabendo que você precisa as vezes de várias repetições da mesma imagem para produzir uma obra, existe alguma revista ou impresso que você está procurando o original para finalizar algum trabalho?

 

Como utilizo centenas de imagens, estou sempre precisando. A bola da vez agora é o quadro “O Mundo Mágico do Cinema”, estou precisando de texturas de pipocas e de fotografias do cinema norte-americano das décadas de 1950, 1960 e 1970.

 

Também ainda estou procurando gente pelada de todos os tempos para a minha releitura do Jardim das Delícias, de Bosch (risos).

 

- Como tem sido ser um artista literalmente reciclando revistas e jornais, e tornar o que antes era lixo em algo moderno de interesse para as pessoas? Reciclagem é um termo que vem recebendo muita importância nos últimos tempos, é possível ampliar sua técnica e metodologia para escolas pode ser uma maneira de crianças terem mais acesso a cultura a partir de materiais acessíveis?

 

É muito bom. Sinto-me como alguém que também foi reciclado. Tudo aconteceu tão intuitiva e magicamente que a naturalidade de todo esse processo é o que mais me encanta. Hoje tenho uma razão muito legal a mais para viver!

 

Sim, o grande barato é as crianças entenderem por intermédio das oficinas que elas também podem ser criadoras de algo bacana. Quando elas entendem isso acaba a distância entre elas, a arte e a cultura de uma forma geral. Percebendo esse potencial na técnica da colagem, por seu baixo custo, caráter lúdico e terapêutico, hoje procuro pensar nas crianças quando vou produzir meus quadros. Podem perceber que procuro sempre inserir elementos do universo infantil em meus trabalhos a fim de estimulá-las a criar.

 

- Você tem projetos onde você trabalhou com mais de 2500 crianças, como é a experiência em moldar os cerebros juvenis?

 

Primeiro precisarei corrigi-lo, nunca quis e não pretendo moldar ninguém. O que procuro fazer, sim, é fornecer referências para que as crianças e os pais possam tomar contato com a arte e a reciclagem de forma lúdica. Como diz a querida Profa. Maria José, do MICA – Movimento Infanto-Juvenil Crescendo com Arte – “Crianças que tomam contato com a arte desde cedo crescem mais felizes”.

 

Não existe criança que não goste de ler, fazer teatro, tocar um instrumento, pintar. O que existem são crianças sem referências.

- Você desenvolveu projetos nos lugares mais variados, desde shopping centers, presídios, oficinas com dependentes químicos, etc Como você sente a responsabilidade de estar divulgando cultura e arte em um pais como o Brasil que tem tanta miséria e desigualdade social?

 

Às vezes me sinto um pouco como um Dom Quixote da “recortação” (risos). Bom, sinto-me à vontade com a nítida sensação de que estou tentando fazer a minha parte. Se não faço mais é porque me falta apoio.

 

- Neste natal, você está envolvido com a criação de cartões natalinos, como vendo sendo este trabalho?

 

Produzi uma série de cartões de Natal para o Instituto Reciclar, em São Paulo.

O Instituto Reciclar há 15 anos faz um trabalho fantástico com jovens da comunidade do Jaguaré.

 

http://www.reciclar.org.br/

 

- Você fez as ilustrações do novo livro da Ana Maria de Andrade, com foi a experiência? Haverão mais livros com a sua arte?

 

A experiência foi maravilhosa. Estou muitíssimo ansioso para conferir a reação da garotada quando o livro for lançado. Eu espero que elas gostem e que venham muitos outros livros daqui pra frente.

 

- Considerando a tecnologia disponível, você já pensou em trabalhar com animações gráficas a partir do trabalho de colagem?

 

Sim, já pensei sim e estou a espera de alguém que, dominando a técnica, me convide para um projeto em parceria. Não vejo a hora que isso aconteça. Acho, de verdade, que o meu trabalho tem tudo a ver com animação.

- Como é possível ver o seu material ao vivo e online? Como podem escolas e instituições entrarem em contato contigo para agendar oficinas? É possível agendar oficinas?

 

Ao vivo o trabalho pode ser conferido e adquirido na loja Continuum Design, Rua Fidalga, 516 - Vila Madalena – São Paulo. http://www.continuumdesign.com.br/

 

Em breve devo realizar uma nova exposição. Estou produzindo muito com foco nessa nova exposição. Nos últimos tempos eu acabei privilegiando a realização de oficinas e a produção atrasou um pouco. Estamos trabalhando para a nova exposição acontecer em um espaço bem legal, quem sabe talvez até em mais de uma cidade. Aguardemos.

 

On line é só conferir o meu site www.silvioalvarez.com.br

 

E acompanhar o meu trabalho via Twitter https://twitter.com/#!/SilvioAlvarez e Facebook http://www.facebook.com/profile.php?id=740449134

Costumo postar de tudo um pouco. Dá também para conferir a produção dos quadros passo a passo e todo o processo criativo.

 

Tem também o meu blog, onde conto minhas aventuras arteiras http://silvioalvarez.blogspot.com/

 

Para realização de oficinas ou outros projetos, basta me contatar pelo e-mail silvioalvarez@uol.com.br

 

- Quais os próximos eventos que você gostaria que nossos leitores ficassem sabendo? O espaço é todo seu para divulgar o que quiser.

 

Bom, acho legal reforçar o lançamento, muito em breve, do livro “Olhos de Terra”, pela Editora Imperial Novo Milênio, com texto da escritora Ana Maria de Andrade ilustrado com colagens de Silvio Alvarez e fotos de Fábio Carnaval.

 

Para quem curtiu o meu trabalho, peço uma forcinha na votação on line para o Green Nation Fest. É muito rápido e fácil de votar. http://www.greennationfest.com.br/pt/obra/664/Silvio-Alvarez/Silvio-Alvarez-Arte-e-Conscientiza-o-Ambiental-

 

No mais é só acompanhar o meu trabalho pelas redes sociais que estou sempre contando as novidades.

 

-Muito obrigado por sua paciência e tempo dedicado para responder nossas perguntas, me desculpe se foram muitas, mas há tanta coisa para perguntar.

Meus mais sinceros parabéns por desenvolver um trabalho de primeira, com uma criatividade totalmente exclusiva, fico sempre muito feliz de ver pessoas fazendo coisas boas e compartilhando tudo isso na Internet.

 

Eu que agradeço tua atenção, o interesse pelo meu trabalho e o espaço de divulgação gentilmente oferecido.

 

 

Viram só! Além de ser um mega talento, o cara é super gente fina e acessível pra caramba!

Confiram abaixo uma galera de fotos do Silvio Alvarez e para conhecer um enorme volume de material, por favor acessem o site - www.silvioalvarez.com.br