Big Other e o Capitalismo da Vigilância

Estar na Internet é maravilhoso, ter acesso a todas estas informações, poder pesquisar e encontrar as informações que você deseja, é um facilitador tremendo para poder resolver todos os tipos de problemas, em casa, e no trabalho.
A Internet é uma das maravilhas do mundo moderno, mas junto com ela existe o capitalismo, a necessidade de lucrar com a Internet. Enquanto muitas empresas usam a Internet para disponibilizar produtos, fazer vendas, ofertar serviços, outras, se estruturaram de uma forma muito diferente, uma forma que pode ser considerada perigosa e até mesmo criminosa.
Sem nos darmos por conta de como, quando e o que as empresas de tecnologia coletam os dados que deixamos em nosso rastro digital, seja em pesquisas, cliques, interações com outras pessoas e empresas, interações com conteúdos, estamos alimentando e treinando estes sistemas onde o produto somos nós.

Devido a recentes intervenções digitais que causaram problemas reais no mundo, como por exemplo as eleições do Trump nos EUA, a saída da Inglaterra do grupo europeu, e aqui no Brasil a influência nas eleições, podemos ver quanto perigosos, quanto destrutivo e quanto precisos são estes mecanismos.

A questão maior é que, estes mecanismos obtêm e detém muito mais informações sobre os usuários, do que os usuários tem sobre como os mecanismos realmente funcionam e isso por isso só já é uma tremenda e desigual desvantagem. Conhecimento é o poder mais absoluto, e saber utilizar informações pessoas sobre as pessoas para exercer poder sobre elas é preocupante.

As pessoas hoje, em grande parte dependem e utilizam das ferramentas que os sistemas oferecem, muitas utilizam para expor suas vidas, outras para fazer negócios, mas todas estão, inevitavelmente alimentando o sistema com informações pessoas a cada interação, seja fazendo uma busca, sendo utilizando um sistema de pagamento, seja navegando com uma ferramenta de localização, seja até mesmo tendo instalado em seu aparelho mobile ferramentas que escutam o que você fala.
Quando se pensava no mundo da internet conectada e com informações disponíveis, já se imaginava que a forma de navegar das pessoas simplesmente seria também rastreada.
No inicio era para otimizar o acesso ao próprio site, depois para gerar resultados de buscas mais eficientes, depois surgiram as redes sociais que puderam então, desenvolver ferramentas que ajudam a capturar, muitas vezes apenas com alguns cliques, uma variedade de categorização das pessoas que por sua vez, alimentam um sistema que permite vender estas informações e utilizar estas informações para manipular as pessoas de forma até mesmo nociva para elas próprias e para as pessoas que estão a sua volta.

Como teremos de repensar estes mecanismo e a presença deles no dia a dia das empresas e dos usuários é um   desafio que exige expertise e conhecimento técnico, algo que em muitos casos fica visível que faltam para os legisladores e assim, para o público em geral, e portanto ficamos, no presente momento, de certa forma a mercê destas ferramentas.
Mesmo você não utilizando elas, se pessoas ao seu redor utilizam, as ferramentas conseguem obter dados sobre você.
Seria fantástico se estas ferramentas fossem apenas utilizadas para garantir e ampliar o bem estar e as oportunidades das pessoas, porém no momento em que inserimos o capitalismo como elemento norteador destas ferramentas, todas as pessoas que participam destes sistemas, estão na verdade sendo considerados como produtos, e seus dados, suas informações, são usadas para promover e gerar capital.