A importância do planejamento da estrutura de navegação

Mais importante do que se pode imaginar, o planejamento de estruturas de navegação são o desafio de um mundo onde as telas são cada vez menores em contraste com a quantidade de informações.
Enquanto existe um "Boom" Mobile acontecendo, levantando os ânimos da industria, começamos a perceber que pode haver por tras disso uma intenção diferenciada.
Quando você pensa em uma navegação online em sites a partir de um computador com um navegador completo, com capacidade de exibir milhões de pixels, tem uma função abrangente de transmissão de informações, permitindo visualização de conteúdo diversificado, e com uma estrutura completamente madura em relação a comunicação e interface. Temos acesso a muito conteúdo de forma fácil.
Ao fazermos a análise com o celular, ele parece muito mais um mecanismo de reconhecimento constante da pessoa com o sistema, informando onde está, seja através de check-ins ou fotos.
Estas informações geradas nem sempre estão disponíveis para os próprios usuários, que são livremente incentivados a publicarem informações que podem ser consideradas pessoais por muitas pessoas. Já pensou em ter uma "carteira eletrônica"? Certamente o mercado comercial tem muito a lucrar com estas soluções, e nós também.

O quanto de liberdade existe na Internet, e o quanto é na verdade um novo tipo de controle? Afinal, a tecnologia que mapeia rostos pode com uma facilidade ainda maior mapear lugares, conseguindo de forma quase instantânea identificar alguém e até mesmo rastrear esta pessoa até o local que ela esteve recentemente.

Nossos aparelhos incentivam o envio e alimentação do sistema com dados cada vez mais pessoais. Nos relacionamos obrigatoriamente a pensamentos, marcas, pessoas, e formamos com isso uma cadeia extremamente compreensível e verificável de informações que nós mesmos não temos acesso.

Esta tudo no design, no planejamento e estrutura de navegação. Se torna muito evidente que o Celular não é a melhor alternativa e que usuário vão precisar de mais espaço, e talvez, muito provavelmente o Tablet se tornara obsoleto.

Precisamos de mais campo de visão, precisamos expandir a tela de comunicação da interface. Idosos são desincentivados a partir do momento que seus problemas de visão interferem  na utilização dos aparelhos.
Uma nova geração de interfaces terá de surgir para conseguir suprir de forma eficiente o acesso a maiores quantidades de informação, mesmo os avanços recentes nos celulares da Samsung e Apple ainda não representam a melhor utilização da tecnologia em combinação com o acesso de Internet mobile.
O cuidado que devemos ter é a certeza de podermos acessar mais informação e não menos. As vezes o minimalismo pode ser muito útil, porém devemos lembrar que o minimalismo é uma fase, uma opção, ou uma alternativa, mas não deve ser a única, alternativas precisam surgir, que possibilitem um acesso mais inclusivo na nova tecnologia. Vamos presenciar isso muito em breve.

Hoje sites que tem uma única função de enviar fotos através de Apps pode chegar a ter um valor de 1 Bilhão de dolares, não podemos deixar de lembrar que sites com funções similares existem a muitos anos. A forma e interface minimalista está se tornando uma regra, e não deveria.
Instagram, com seu foco em tirar fotos de "coisas" mostra muito como este relacionamento entre a informação, principalmente consumista, de uma pessoa pode ser fácilmente compartilhada para todas as grandes empresas web, como o Facebook, Twitter, entre muitos outros. Mas o que você está de fato alimentando para estes sistemas sobre a sua pessoa?

Sim claro, podemos compartilhar todo tipo de informação, mas, quais são as informações que o sistemas em conjunto facilitam para que sejam de fato compartilhadas?
Desenvolvimentos focados em reverter estes caminhos podem estar a deriva precisando de investimento. A grande questão é o que realmente vai fazer a diferença, e para quem será esta diferença mais valiosa.

Vemos e sabemos de todas as intenções e novidades que os gigantes da era digital jogam em nossos olhos, e muitas pessoas utilizam toda esta tecnologia sem dar conta da devida fragilidade de tudo.
Quando interagimos com sistemas, não estamos de fato interagindo com maquinas, estamos agindo com ideias de comunicação, tecnológicas e psicológicas.

É possível identificar com facilidade o "funil" utilizado pelos sistemas que convergem em captar as informações desejadas e distribui-las entre eles.

Se durante um ano, você informar o horário que você está indo almoçar apenas algumas vezes, no ano que vem, quando a sua televisão estiver realmente conectada, as propagandas poderão ser pertinentes ao seu histórico no Google, no Facebook e Twitter, exibindo anúncios até mesmo com os horários em que você come, trabalha, ou pratica esportes.

Claro que hoje já estamos ficando acostumados com os anúncios comerciais fazendo parte da paisagem e sendo relacionados a sites que acessamos ou informações que estão presentes nas páginas que navegamos, mas ao mesmo tempo que fornecemos livremente nossas informações para os diversos sistemas e mecanismos, não recebemos deles acesso a nada no que diz respeito a visão holística das informações e nem podemos utilizar os mesmo tipos de filtros ou criar os nossos próprios filtros.

Ao analisarmos a estrutura de navegação, podemos de certa forma compreender seu planejamento e antever o resultado e é claro, alternativas melhores terão de surgir ou seremos devorados pelo "spam social".
Pense mais sobre o que você está produzindo com o software que você tem acesso.
A quem você está dando acesso? Aos usuários, ou a algum determinado sistema?